segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Rebeldia Natalina

É muito difícil escrever nesta época. Parece que tudo que havia para ser dito já foi escrito e falado. Meu espírito de rebeldia fala forte ao meu coração se recusando a escrever ou dizer qualquer coisa sobre o assunto, se negando a entrar neste frenesi de bondade obrigatória e comercial.
Pelo que venho escrevendo e pela introdução acima vocês devem estar pensando que eu sou cético e que não acredito em mais nada.
É um risco que se corre quando se escreve, quando se exprime o que se pensa e o que se sente. Os sentimentos, as idéias, os pensamentos só nos pertencem enquanto circulam somente no nosso próprio universo uma vez, expostos á luz e expelidos, deixam de nos pertencer e passam a se tornar propriedade de quem lê, de quem ouve. São interpretados de acordo com a visão e de acordo com o universo que os recebe.
Pensando bem, nós somos assim também: Somos o que somos e como somos no nosso próprio universo interior e interpretados de maneira diferente por quantos outros universos aos quais nos sintonizamos.
Hoje, especialmente nesta véspera de Natal eu gostaria de me dirigir aos muito de nós cujo coração e a alma doem. Eu gostaria de me dirigir aos muitos nós que de uma maneira ou de outra estão vivendo um problema, seja de que ordem for: Financeiro, saúde, emocional, profissional e por aí afora.
Quando digo nós, me incluo propositadamente nesta grande legião, ou vocês pensam que só por ser um terapeuta e um livre pensador eu estou isento das dores mundanas?
Aí é que você se engana, quanto maior o entendimento, quanto maior a visão, mais a vida nos cobra o aprendizado e mais difíceis se tornam as provas. Quando digo provas não estou me referindo á palavra sobrecarregada de dramalhões e de culpa judaico-cristã, estou apenas me referindo à aferição do aprendizado e nada mais.
Dor, tristeza, desânimo, desesperança são invenções do nosso pobre espírito ainda involuído e da nossa perversidade conosco mesmos.
Eu sei disso e muitos de nós o sabemos, mas apesar de sabermos não nos furtamos às lágrimas e à nossa condição humana.
Nestas horas e, principalmente nestas épocas eu me pergunto: Para que serve a fé?
Não era para eu estar passando por tudo isso mais calmamente, mais harmonizado?
Pobres cegos nós somos que não enxergamos a totalidade dos planos do Pai Celestial, mas é assim mesmo se já conhecêssemos os planos em todos os seus meandros ainda não estaríamos cursando a vida, não é mesmo?
E para que serve a fé afinal?
Eu acredito firmemente que ela serve para estas horas. O simples fato de termos fé e uma nesga de entendimento não vai nos livrar das vivencias e do aprendizado que inexoravelmente viveremos.
E o que é a fé?
Sinceramente eu não sei responder racionalmente a esta pergunta, a única coisa que eu posso fazer é falar do que eu sinto e como eu sinto, que afinal são as minhas maiores verdades.
É extremamente reconfortante sentir no coração uma certeza que não sabemos bem de onde vem, mas que nos diz que não estamos sós, que nos diz que o Pai Celestial caminha conosco e em nós. Esta certeza, este sentimento inexplicável e inexprimível nos diz que está tudo certo, que tudo caminha como deve caminhar, a despeito da rebeldia, da arrogância, da vaidade, do orgulho da nossa razão.
Dane-se a razão (para não dizer outra coisa)! Danem-se os porquês!

O porquê é o que menos interessa. O importante é o como!

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