Rebeldia Natalina
É muito difícil
escrever nesta época. Parece que tudo que havia para ser dito já foi escrito e
falado. Meu espírito de rebeldia fala forte ao meu coração se recusando a
escrever ou dizer qualquer coisa sobre o assunto, se negando a entrar neste
frenesi de bondade obrigatória e comercial.
Pelo que venho
escrevendo e pela introdução acima vocês devem estar pensando que eu sou cético
e que não acredito em mais nada.
É um risco que se
corre quando se escreve, quando se exprime o que se pensa e o que se sente. Os
sentimentos, as idéias, os pensamentos só nos pertencem enquanto circulam
somente no nosso próprio universo uma vez, expostos á luz e expelidos, deixam
de nos pertencer e passam a se tornar propriedade de quem lê, de quem ouve. São
interpretados de acordo com a visão e de acordo com o universo que os recebe.
Pensando bem, nós
somos assim também: Somos o que somos e como somos no nosso próprio universo
interior e interpretados de maneira diferente por quantos outros universos aos
quais nos sintonizamos.
Hoje, especialmente
nesta véspera de Natal eu gostaria de me dirigir aos muito de nós cujo coração
e a alma doem. Eu gostaria de me dirigir aos muitos nós que de uma maneira ou
de outra estão vivendo um problema, seja de que ordem for: Financeiro, saúde,
emocional, profissional e por aí afora.
Quando digo nós, me
incluo propositadamente nesta grande legião, ou vocês pensam que só por ser um
terapeuta e um livre pensador eu estou isento das dores mundanas?
Aí é que você se
engana, quanto maior o entendimento, quanto maior a visão, mais a vida nos
cobra o aprendizado e mais difíceis se tornam as provas. Quando digo provas não
estou me referindo á palavra sobrecarregada de dramalhões e de culpa
judaico-cristã, estou apenas me referindo à aferição do aprendizado e nada
mais.
Dor, tristeza,
desânimo, desesperança são invenções do nosso pobre espírito ainda involuído e
da nossa perversidade conosco mesmos.
Eu sei disso e
muitos de nós o sabemos, mas apesar de sabermos não nos furtamos às lágrimas e
à nossa condição humana.
Nestas horas e,
principalmente nestas épocas eu me pergunto: Para que serve a fé?
Não era para eu
estar passando por tudo isso mais calmamente, mais harmonizado?
Pobres cegos nós
somos que não enxergamos a totalidade dos planos do Pai Celestial, mas é assim
mesmo se já conhecêssemos os planos em todos os seus meandros ainda não
estaríamos cursando a vida, não é mesmo?
E para que serve a
fé afinal?
Eu acredito
firmemente que ela serve para estas horas. O simples fato de termos fé e uma
nesga de entendimento não vai nos livrar das vivencias e do aprendizado que
inexoravelmente viveremos.
E o que é a fé?
Sinceramente eu não
sei responder racionalmente a esta pergunta, a única coisa que eu posso fazer é
falar do que eu sinto e como eu sinto, que afinal são as minhas maiores
verdades.
É extremamente
reconfortante sentir no coração uma certeza que não sabemos bem de onde vem,
mas que nos diz que não estamos sós, que nos diz que o Pai Celestial caminha
conosco e em nós. Esta certeza, este sentimento inexplicável e inexprimível nos
diz que está tudo certo, que tudo caminha como deve caminhar, a despeito da
rebeldia, da arrogância, da vaidade, do orgulho da nossa razão.
Dane-se a razão
(para não dizer outra coisa)! Danem-se os porquês!
O porquê é o que
menos interessa. O importante é o como!